Manejo de fósforo em cana-de-açúcar
Quando falamos de nutrição para a cana-de-açúcar, o fósforo é um macronutriente que a cultura necessita em menor quantidade quando comparado aos demais macronutrientes, porém exerce função-chave no metabolismo da planta.
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O fósforo (P) é o segundo nutriente mais comumente aplicado às culturas. Os solos brasileiros normalmente apresentam baixa quantidade desse elemento e sua mineralogia e pH favorecem a alta capacidade de fixação do fósforo, formando compostos com ferro (Fe), alumínio (Al) e manganês (Mn). Pelo fato desses compostos serem insolúveis e indisponíveis às plantas, aplicações de P superiores às requisitadas pelas culturas tornam-se necessárias.
Quando falamos de nutrição para a cana-de-açúcar, o fósforo é um macronutriente que a cultura necessita em menor quantidade quando comparado aos demais macronutrientes, porém exerce função-chave no metabolismo da planta, particularmente em formação de proteínas, fotossíntese, armazenamento de energia, do processo de divisão celular (VITTI e MAZZA, 2002 ), do desdobramento de açúcares, respiração e fornecimento de energia a partir do ATP e formação de sacarose, com propriedades de aumentar a eficiência da utilização de água pela planta, bem como a absorção e a utilização de outros nutrientes, venham eles do solo ou do adubo, contribuindo para aumentar a resistência da planta a algumas doenças, suportar baixas temperaturas e falta de umidade (Korndorfer, 2004).
De acordo com diversos autores, dentre eles MALAVOLTA (2006), sem dúvida, trata-se do nutriente que mais limita a produção vegetal no Brasil e, a elevação de sua disponibilidade, de forma a vencer a barreira imposta pela “fome do solo” por este nutriente, é um dos grandes desafios no manejo da fertilidade do solo. O sintoma de deficiência mais importante é o baixo crescimento da planta, a formação das folhas também é afetada, sendo que mais velhas apresentam-se com tom arroxeado, mais estreitas e curtas, prejudicando assim a quantidade de clorofila. Segundo (ESTEVES, 1986), ocorre baixo perfilhamento, menor altura e engrossamento dos colmos, menor diâmetro e encurtamento dos entrenós.
Korndörfer (2004) afirma que as limitações na disponibilidade de P no início do ciclo vegetativo podem resultar em restrições no desenvolvimento, das quais a planta não se recupera posteriormente. Tomaz (2009) cita que o P na cana-de-açúcar assume grande importância no vigor do enraizamento e no perfilhamento e, portanto, na produtividade final.
É necessário entender todo o manejo nutricional para que se tenha um planejamento nutricional eficiente a fim de equilibrar os nutrientes no sistema solo x planta e em especial o fósforo. Uma prática eficaz reconhecida é a adubação fosfatada, pois eleva a produtividade dos canaviais, principalmente nos solos brasileiros, que são pobres neste elemento. O fósforo é considerado um elemento que apresenta pouca mobilidade no solo (em torno de 1 mm/safra), porém na planta é altamente móvel, sendo translocado de folhas velhas para mais novas. O grande volume de fósforo absorvido é por difusão (94%), fluxo de massa (4%), e por interceptação radicular (2%).
Adicionando fósforo no sistema solo x planta, através dos manejos:
Fosfatagem - prática de caráter corretivo com objetivo de elevar o teor de P, promovendo maior desenvolvimento radicular. Devido à relação de compatibilização N/P, a fosfatagem proporciona maior desempenho da adubação nitrogenada em soqueira (Novais, 1999). Com a prática, temos maiores volumes de P em contato com o solo, mas também proporcionamos maior fixação de P nos colóides do solo.
Adubação Cana-Planta - a adubação de plantio é realizada em função dos teores de P e K da análise de solo, seguindo as formulações N-P-K, tendo baixa quantidade de nitrogênio e alta quantidade de P2O5 e K2O. No sulco de plantio, é aplicada a dose para suprir a demanda de fósforo para todo o ciclo da cultura. Porém, como a eficiência do fosfato é baixa, e encontrando ambientes que apresentem baixo teor de P no solo, torna-se necessária a reposição de fósforo em soqueira. As doses a serem praticadas em cana-planta variam em função da análise de solo e da produtividade esperada. Tabela 03, Boletim 100, pág 183 (180 a 200 Kg P2O5/ha).
Adubação fosfatada em soqueira - será necessária quando o teor de P no solo for abaixo de 15 mg.dm-3. Tendo como via de regra não utilizar a reserva do solo, sendo necessário suprir o fósforo para atender a demanda da cana-de-açúcar. As doses de P aplicadas em soqueira variam entre 30 a 60 Kg P2O5/ha, sendo a maior dosagem aplicada em solos com teores abaixo de 7 mg. dm-3. Tabela 05, Boletim 100, pág 186.